OS INVENCIVEIS INDESEJADOS.

                        Os invencíveis indesejados.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

                                   A Professora Ligia Costa Leite chamava de invencíveis as crianças e adolescentes que sobreviviam nas ruas do Rio de Janeiro nas décadas de 80 e 90. Pensando no acolhimento delas criou a Escola Tia Ciata para educa-los dentro de sua filosofia de inclusão pela educação com liberdade. Os meninos cresceram, muitos sobreviveram e hoje constituíram famílias, cujos filhos e netos por sua vez, como os Capitães de Areia de Jorge Amado ocupam o seu lugar de exclusão nas grandes cidades.

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                                   Eles já se acostumaram e procuram formas de integração, mas parte da sociedade ainda os rejeitam com violência. Criam formas de repressão que se modificam de acordo com a conveniência dos governantes e a pressão dos moradores da cidade. Já criaram os choques de ordem, que facilmente se corromperam, os espaços legais que logo entraram na ilegalidade. Mas o grande instrumento atual dos capitães do mato da modernidade é o tráfico de drogas.

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                                   O sistema socioeducativo está superlotado de jovens que a Organização Internacional do Trabalho chama de vítimas das piores formas de exploração do trabalho infantil e o poder do estado repressor elegeu para justificar o encarceramento de 70% dos adolescentes nas masmorras do estado. Apesar da lei não autorizar a internação, eis que somente quando “cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa” e o ato de comércio que tipifica o tráfico não contém nenhuma coisa nem outra, essa tem sido a medida preferida dos juízes para justificar o encarceramento de jovens.

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                                   As Olimpíadas se realizaram com absoluto sucesso em matéria de segurança pública. Foi efetivamente uma grande festa dos esportes, instrumento essencial no processo de inclusão social e para a educação. Mas os jovens da periferia não foram chamados para essa festa e a eles foi reservado mais que a “piscina cheia de ratos”, o proibicionismo de compartilhar a cidade como é direito de todo cidadão. Permaneceram restritos a seus guetos, onde a UPP é o único sinal da existência do estado e onde não há espaços para o lazer, nem saneamento básico e respeito a seu processo de desenvolvimento.

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                                   O verão está chegando com muito calor nas comunidades e muitas atrações próprias dessa estação do ano. Ao invés de atraí-los com eventos inclusivos, a cidade já prepara barreiras étnicas e sociais representado por policiais que os farão descer dos ônibus e os manterão sob severa vigilância discriminatória e ao menor sinal correria própria da energia da juventude será considerado “arrastão” a justificar toda forma de violência dos capitães do mato contra os jovens negros e pobres das periferias. Até quando?

 

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PRIORIDADE ABSOLUTA. ONDE?

                               PRIORIDADE ABSOLUTA. ONDE?

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

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                        No sul do país um promotor de justiça, cuja função é “zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados às crianças e adolescentes” desrespeita uma jovem de 14 anos vítima de violência sexual praticada pelo próprio pai. No Rio um coronel da polícia, cuja função é a preservação da ordem pública, é flagrado abusando de uma criança de dois anos e tenta subornar o corpo de policiais que o prendeu alegando a força de sua patente. O Instituto de Segurança Pública, no Dossiê Criança, aponta que entre 2010 e 2014 houve um aumento de 46,7% no número anual de crianças vítimas de violência. Confirma também que 68,2% dos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes são praticados no lar.

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                        O mesmo dossiê revela quais são os alvos preferenciais da repressão: são os jovens pardos (49,8%) e negros (31,5%), ou seja 71,3% os considerados pelos “donos do poder” como indesejáveis, enquanto as vítimas são: brancos (46,9%) e pardos (40,8%), sendo 93,5% de meninos. O que sinaliza que estamos vivendo uma guerra social e racial. Por outro lado, o Sistema Socioeducativo do estado padece de recursos para cumprir sua tarefa definida na Lei e além das violências físicas provocadas pela superlotação dos equipamentos, muitas tem sido as mortes de adolescentes sob a guarda do Estado.

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                        Diante dessa selvageria institucional, o CNJ visando organizar o monitoramento das medidas aplicadas tanto aos adultos quanto aos jovens em conflito com a lei determinou que os Tribunais criassem um Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo para zelar pelo fiel cumprimento das leis e da Constituição. Vários Estados já cumpriram essa resolução, menos o Rio de Janeiro, cujo Tribunal rejeitou por maioria a criação desse instrumento fundamental para dar dignidade ao cumprimento das sentenças judiciais.

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                        Além dessa salutar medida, a Presidência do Tribunal, encaminhou para deliberação pelo Órgão Especial a transformação de uma Vara Criminal comum em uma Vara Especializada em Violência contra criança e adolescente para dar maior celeridade e qualidade na apreciação e julgamento dos casos em que crianças e adolescentes são vítimas em número elevadíssimo, como aponta o Dossiê Criança foram 49.276 vítimas só nos cinco últimos anos. Dados anotados nas ocorrências policiais, que representa um sub-registro equivalente a apenas 15% da realidade fática. Proposta rejeitada por unanimidade do órgão que tem a função de solucionar os conflitos, ditando o direito dos cidadãos. Fica a pergunta: Quando o artigo 227 da Constituição da república deixará de ser letra morta e criança e adolescente serão prioridade absoluta?

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JUSTIÇA NAS COMUNIDADES OU JUSTIÇA ITINERANTE?

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Justiça Itinerante

Logomarca do Projeto Justiça Itinerante - Imagem retangular que lembra um ônibus e cuja cabine é a imagem de uma balança da justiça

O PROGRAMA JUSTIÇA ITINERANTE, coordenado pela Divisão de Justiça Itinerante e acesso à Justiça – DIJUI, ligada ao Departamento de Instrução Processual – DEINP da Diretoria Geral de Apoio aos Órgãos Jurisdicionais – DGJUR, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, tem por objetivos precípuos dar concreção ao postulado do amplo acesso à Justiça e fomentar a cidadania, por meio de atendimentos regulares previamente estabelecidos mediante calendários amplamente divulgados.

A JUSTIÇA ITINERANTE surgiu como um novo paradigma de realização da prestação jurisdicional no qual os Juízes juntamente com membros do Ministério Público e Defensoria Pública vão ao encontro de cidadãos, principalmente aos mais necessitados ou menos favorecidos em razão da  inexistência de políticas públicas eficientes em determinados locais do nosso Estado.   Na verdade, trata-se de um programa vanguardista, prático e acessível principalmente em relação aos cidadãos que possuem maior dificuldade de acesso aos serviços públicos.

A JUSTIÇA ITINERANTE atua nos seguintes focos: Municípios emancipados, sem comarca instalada; Municípios com comarcas, porém com grande densidade demográfica; Municípios com grande extensão territorial e; Regiões pacificadas na cidade do Rio de Janeiro.

Vale ainda salientar outros aspectos da JUSTIÇA ITINERANTE:

 Buscar soluções conciliadas como fórmula de pacificação social eficiente;
 Promover a regulamentação documental dos cidadãos.
 Integrar os juízes às comunidades, promovendo uma mudança de relacionamento entre a sociedade civil e o Poder Judiciário.
 Modernizar a prestação jurisdicional, afastando os rituais formais ultrapassados e com ênfase na celeridade do processamento.
 Expandir as ações afirmativas e de responsabilidade social que vêm sendo implementadas pelo Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, entre outras.

Por meio de convênios celebrados entre o PJERJ e os respectivos municípios, nos quais funcionam os postos da JUSTIÇA ITINERANTE, atualmente são 24 postos em funcionamento regular no Estado do Rio de Janeiro.

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DILMA E A PROSTITUTA APEDREJADA.

Dilma e a prostituta.

Siro Darlan. Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

Reconhecendo que o Brasil vive “momento triste”, o Papa pede que rezem pelo povo brasileiro. O Papa Francisco tem sido misericordioso com os brasileiros e como um bom “Hermano” tem sempre o Brasil em seu coração e em suas orações. Ele é o responsável pela mudança de rumo da Igreja que antes, muito romanizada, afastava-se do povo de Deus e hoje apresenta esse discurso inclusivo voltando às origens do cristianismo quando o Mestre, sem fazer qualquer distinção convidou a todos para a mesa da partilha do pão.

As escrituras contam que os fariseus, muito apegados à lei mosaica, para tentar a Jesus lhe apresentaram uma mulher adúltera, provocando-o: ”Esta mulher foi surpreendida em adultério; Moisés manda lapidar tais mulheres; mas que pensas tu”? Tratava-se de uma dupla armadilha: se houvesse mandado executa-la, logo perderia a fama da mansidão; mas, se houvesse mandado libertá-la, seria um violador da lei. Assim se pronunciou o Mestre da Misericórdia: “Quem se achar sem pecado, atire-lhe a primeira pedra.” Todos foram se retirando até que ficou apenas a mulher envergonhada e curada pelo amor e misericórdia de Jesus.

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O noticiário recente também colocou uma mulher inocente no tribunal dos injustos, mas a história foi bem diferente. Num primeiro momento 367 deputados ofereceram a cabeça da vitima a seus parentes, apadrinhados, amantes e corréus e enviaram-na à “Corte de Pilatos” onde Judas se multiplicaram e 61 dos 81 juízes impuros apedrejaram-na com a Constituição nas mãos. Ora o leitor já imaginou um juiz corrupto julgando um acusado de corrupção? Ou um juiz pedófilo aplicando uma pena a um abusador de criança? Há um mínimo de isenção nesses magistrados? Ou, o que também ocorreu, pode uma ré ir a julgamento quando os seus juízes já anunciaram que iriam condená-la? O que diz a lei quando um juiz adianta seu julgamento? Fica impedido por falta da necessária e imprescindível isenção.

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Nosso estado é laico, bem o sabemos, e não se deve confundir política com religião, mas há valores morais e religiosos que são comuns a todas as atividades, mormente as atividades públicas. Portanto não se pode admitir juízes venais, corrompidos e fundamentalistas. Os fatos devem ser objeto de apreciação para se fazer um juízo de valor e não as pessoas. Ao julgarem e condenarem uma mulher atribuindo-lhe crime que não cometeu, como muitos admitiram antes, durante e depois do julgamento, mas por fatos alheios ao julgamento como, por exemplo má administração, desemprego, volta da inflação, etc… está extrapolando o devido processo legal, que é a garantia de todos os cidadãos de serem julgados por um tribunal justo e isento.

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Nos dois casos nota-se perfeitamente que acima de qualquer conceito jurídico prevaleceu à misoginia. O ódio à mulher bem sucedida tem sido uma forma cruel e desproporcional de demonstrar o inconformismo de uma sociedade machista com a liberdade e independência das mulheres.Prostituta

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CIDADE COMPARTILHADA.

                        Cidade compartilhada.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

                        Passada a euforia do Olimpo Olímpico, voltamos a nossa realidade onde é preciso discutir uma cidade que deve ser construída coletivamente, onde todos devemos ser ouvidos, não apenas através das urnas, mas diariamente debatendo sobre as maiores necessidades do povo que habita essa cidade. A educação precisa ser finalmente priorizada de forma compartilhada com a comunidade educadora formada por professores, alunos, servidores da educação e comunidade. As prioridades precisam ser ditadas por esse conselho permanente e a matriz curricular precisa cumprir as metas traçadas nas leis educacionais e no Estatuto da Juventude.

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                        Apesar das maravilhas naturais, o Rio de Janeiro, é uma cidade marcada pela desigualdade. Essa discussão precisa entrar na pauta, pois permanecendo latente essa injustiça será impossível combater a violência, já que o tratamento desigual dos cidadãos é o maior estímulo ao desrespeito mútuo. O povo do Rio de Janeiro é admirado por sua alegria e solidariedade. É preciso aproveitar essas características para se construir uma nova realidade baseada no respeito ás diferenças e melhor distribuição de rendas e direitos.

                        A mulher precisa ocupar um lugar de destaque nessa transformação por ser ela tradicionalmente aglutinadora da liderança familiar e comunitária. O episódio infeliz do Alcaide atribuindo a uma mulher negra e pobre o estereótipo de mulher a ser usada, como uma Gení, mostra que ainda não nos livramos dos costumes escravocratas quando os senhores abusavam de suas escravas como propriedade a ser explorada. No momento em que atribuindo entregava uma casa como um favor, quando se tratava do exercício do direito à moradia, lhe foi cobrada a contrapartida ignóbil: seu corpo deveria servir ao prazer senhorial.

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                        Crianças e adolescentes precisam ser a prioridade na cidade que mais violenta crianças seja em seu ambiente familiar, o mais alto índice de violência contra crianças é no lar; seja através do poder público que necessita pagar urgentemente sua dívida secular e garantir escola de horário integral urgentemente; seja pelo respeito que a sociedade deve devotar às pessoas em processo de desenvolvimento que necessita ser cuidada e respeitada antes de propostas excludentes como a redução da maioridade penal.

                        Finalmente urge que seja repensada a questão da mobilidade através de alocação de meios de transportes que atenda prioritariamente as necessidades dos mais pobres e que moram mais longe de seus trabalhos. E, para tanto, faz-se necessário que esse direito seja discutido coletivamente priorizando os serviços e não os lucros apenas. O acesso à cidade e sua integração tem por base o respeito ao direito de ir e vir, sem barreiras discriminatórias, democratizando e assegurando esse direito fundamental a todos e a todas.

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VELHO CHICO, A REDENÇÃO DO SERTÃO NORDESTINO.

 Velho Chico, a redenção do sertão nordestino.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

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Assistindo à manifestação do Senador Cassio Cunha Lima na sessão do Senado onde se discute o afastamento da Presidenta Dilma, como paraibano fiquei muito envergonhado por tão grande traição ao seu estado da Paraíba. Voltando de uma visita ao sertão do Cariri, onde se avizinha a grande obra de redenção do povo sertanejo, sempre espoliado pela chama indústria da seca. Vi com entusiasmo que o sonho se torna possível através da transposição do Rio São Francisco que está há poucos quilômetros da minha querida Cajazeiras, onde o povo tão marcado pelas intempéries causadas pela falta d`água.

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O projeto, agora paralisado pelo governo provisório, está 90% pronto para transformar o sertão em um mar de águas que podem levar o desenvolvimento e a qualidade de vida para o sofrido povo sertanejo. Visitei a Barragem de Boa Vista com capacidade para 500 milhões de água da transposição; Barragem de Caiçaras com capacidade de 280 milhões, a Barragem de Morros com capacidade de 180 milhões. Túneis construídos em rochas milenares um com 15 quilômetros e outro com 4 quilômetros. Vi no local já prontas e habitadas Vilas Agrícolas com mais de 300 casas ocupadas por moradores da área pronta para serem ocupadas.

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Atualmente a capacidade do Açude de Boqueirão com capacidade para 255 milhões, encontra-se com apenas 7% de seu manancial. Paralisada a obra desde que a Câmara de Eduardo Cunha paralisou o governo eleito, o povo do sertão não terá em janeiro de 2017 água para beber. De quem é a responsabilidade por essa catástrofe Senador Cunha Lima? Seu falecido e festejado pai que tanto cantou a vida do sertanejo e deixou uma obra invejável na sua vida pública e intelectual certamente está arrependido de suas ações deletérias contra o povo da Paraíba.

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Finalmente é de justiça que se diga que não só nessa jornada pela democrática distribuição das águas em nosso Brasil, mas encontrei um Nordeste com gente de dignidade vivendo não mais das enganosas promessas de políticos de eventualidades, mas o desenvolvimento de um povo onde foram plantadas pelo governo que se pretende afastar inúmeras universidades, Escolas Profissionalizantes. Cajazeiras, a cidade que ensinou a Paraíba a ler, habita uma pungente juventude universitária composta por 15 mil estudantes, onde todas as crianças são transportadas para as escolas através de ônibus escolares adquiridos desde o governo chefiado por um homem de poucas letras, mas que reconhece a importância da educação para o desenvolvimento de uma Nação, e hoje, por uma mulher de fibra, que igualmente tem um olhar voltado para a educação e para questões que são muito caras para o Nordeste, como ter água para viver.

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MEDALHA EPITACIO PESSOA E MEDALHA JOÃO BOSCO BARRETO 2.

ALPB entrega Medalha Epitácio Pessoa ao desembargador cajazeirense Siro Darlan

Por:

Assembleia entrega Medalha Epitácio Pessoa ao desembargador Siro Darlan

A Assembleia Legislativa da Paraíba realizou na manhã desta sexta-feira (26), na Câmara Municipal de Cajazeiras, sessão solene em conjunto com a Câmara Municipal de Cajazeiras, para entregar a Medalha Presidente Epitácio Pessoa ao desembargador cajazeirense radicado no Rio de Janeiro, Siro Darlan de Oliveira. A medalha é a mais alta comenda outorgada pela Casa de Epitácio Pessoa.

O desembargador também recebeu a Medalha João Bosco Braga Barreto, outorgada pela Câmara Municipal de Cajazeiras. O projeto de resolução de autoria de Jeová Campos número 97/2016 foi aprovado em abril desse ano.

A homenagem da Assembleia Legislativa ao desembargador Siro Darlan é propositura do deputado Jeová Campos. “Eu sou literalmente encantado com a trajetória do desembargador Siro Darlan. A Medalha Epitácio Pessoa está sendo entregue no peito de um homem que de fato merece conduzi-la. A história do desembargador Siro é para ser contada para nossas crianças, ser contada para quem tem esperança que esse país será um país transformado numa grande nação”, pontuou o parlamentar.

Jeová destacou que a trajetória de Siro Darlan no seu início, foi marcada pela opção de cuidar das crianças e dos adolescentes e o cajazeirense é nome na referência nacional quando o assunto é Estatuto da Criança e do Adolescente, por seu um dos pioneiros nessa área. “A sua caminhada tem substância e por isso tem fundamento a homenagem com a medalha que Epitácio Pessoa é concedida a Vossa Excelência. O nobre que Vossa Excelência carrega é o nobre dos humildes, dos justos. Essa homenagem é uma mensagem de amor a um cajazeirense digno”, ressaltou.

Ao agradecer a homenagem da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Cajazeiras o desembargador Siro Darlan revelou: “me sinto agora com muito mais responsabilidade. Fazer justiça é trazer a paz social para a sociedade. Temos que ter a sensibilidade para poder dizer o direito. Eu vim para dizer não às injustiças, eu aprendi a dizer não quando saí aqui do Nordeste. Amigo Jeová, meu coração está inquieto, agradeço a Deus pelas oportunidades na vida. Hoje sou magistrado há 35 anos e se escolhi a causa das crianças e dos adolescentes é porque conheci a causa na própria pela”, pontuou. Destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente precisa sair do papel verdadeiramente. Acrescentou ainda que cada vez mais se sente orgulhoso de nordestino, de ser paraibano e cajazeirense.

O deputado Jandhuy Carneiro, que secretariou os trabalhos, declarou que “Jeová Campos foi feliz na iniciativa da homenagem porque o desembargador Siro Darlan tem prestado relevantes serviços à sociedade pelo seu desempenho, sua atuação como magistrado é exemplar no Rio de Janeiro”. Jandhuy lembrou que é integrante da Justiça do Trabalho e que a tarefa do julgador é fazer justiça, de acordo com a Constituição.

O cajazeirense Siro Darlan migrou para o Rio de Janeiro em 1953. Atualmente é presidente da Sétima Câmara Criminal. Formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, desde 1975, é Pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tem Curso de Especialização em Direito Penal e Processual Penal, é pós-graduado em Direito da Comunicação, pela Universidade de Coimbra, Portugal, e iniciou sua carreira na magistratura, como Juiz de 1ª instância, na Comarca de Silva Jardim, no Rio de Janeiro, em junho de 1982 onde permaneceu até o mês de julho de 1984.

Durante a sua carreira de magistrado, exerceu vários cargos e participou de inúmeras atividades, além de lecionar em renomadas instituições de ensino superior. Atualmente, exerce o cargo de presidente da Sétima Câmara Criminal do Rio de Janeiro.

O vereador Alison Américo de Oliveira, autor concessão da Medalha João Bosco Braga Barreto, afirmou que o desembargador é merecedor das homenagens pelo trabalho no judiciário, pelo caráter e serviços prestados ao Brasil.

O coronel Cunha Rolim afirmou que o desembargador Siro Darlan é exemplo para muitos jovens paraibanos e brasileiros. “A homenagem é um dever de justiça, dos cajazeirenses e paraibanos”, disse.

A juíza Adriana Lins, da Comarca de Cajazeiras, o coronel Cunha Rolim, comandante do 6º BPM, o presidente da Câmara Municipal de Cajazeiras, vereador Nilson Lopes, a esposa do homenageado, arquiteta Heloisa Couto, o ex-prefeito de Cajazeiras, Carlos Antonio, dentre outras personalidades também participaram da sessão solene.

Assessoria de Comunicação

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Medalha Presidente Epitácio Pessoa e Medalha deputado João Bosco Braga Barreto

Caros Amigos.
Desejo compartilhar com voces a alegria de um reconhecimento inesperado. Após mais de seis décadas afastado de meu bravo povo sertanejo da Cidade de Cajazeiras, meu torrão natal, estou voltando para receber imerecidas homenagens.
Obrigado bravo povo Cajazeirense e Paraibano. Eu saí do sertão, mas o sertão nunca saiu de mim. Daí essa garra que comprova que o sertanejo é antes de tudo um forte.

No próximo dia 25 estarei recebendo na Cidade de Cajazeiras – Paraíba a Medalha Presidente Epitácio Pessoa, a maior Comenda do Estado e na mesma ocasião receberei a Medalha Deputado João Bosco Braga Barreto que a mais alta condecoração da Cidade de Cajazeiras- PB.

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E no dia 26 juntamente com o Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba Desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque estarei proferindo Conferência no III Forum Municipal de Políticas Públicas e os Direitos das Mulheres sobre o tema : A luta não acabou, vivendo por direitos iguais.
Desse modo estarei sendo fiel ao profundo respeito que tenho pelas crianças, seres humanos em desenvolvimento, e pelas mulheres, fonte da vida e da sensibilidade que agrega toda a família e sociedade.
Siro Darlan

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FALAR MERDA OU MENTIR

Falar merda ou mentir.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

O momento é oportuno para uma boa reflexão sobre esse tema. Encerramos as atividades olímpicas com a suspeita de que atletas olímpicos agredindo o espírito olímpico tenham procurado macular a imagem, já tão danificada, de nossa Cidade Maravilhosa criando um fato mentiroso envolvendo um falso crime de roubo. Entramos logo em seguida na fase das mentiras eleitorais praticadas regularmente sem quaisquer consequências punitivas salvo para o povo enganado que acredita em falsas promessas e depois tem que amargar mais quatro anos de desgovernos e irresponsabilidades.

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O livro de Harry G. Frankfurt “Sobre falar Merda”, primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, faz uma bela leitura de como em tempos de comunicação global e massiva somos vítimas de mentirosos e faladores de merda. O autor elege os profissionais da propaganda e das relações públicas, muito ligadas à produção da imagem de candidatos a cargos eletivos como paradigmas inquestionáveis e exemplos consumados da arte de falar merda. Veremos nos próximos dois meses a utilização de técnicas avançadas para atender com base nas pesquisas de mercado e pesquisas de opinião pública para a construção de um “candidato perfeito”.

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Harry faz uma distinção interessante entre o falador de merda e o mentiroso contumaz. Enquanto o primeiro não se importa com o valor da verdade do que diz não se preocupando com o valor de um fato verdadeiro, mas esta camuflando as coisas, enquanto o mentiroso conhece a verdade e a ela se contrapõe. Uma pessoa que mente está reagindo à verdade e tem, até certo ponto, respeito por ela. Quando um homem honesto fala, diz apenas o que acredita ser a verdade; enquanto, para o mentiroso, é indispensável que ele considere suas afirmações falsas.

Isso talvez explique porque uma parte de nossa mídia, para atingir seus objetivos editoriais e interesses políticos e econômicos se utilize tanto desse expediente para influenciar a opinião pública. Por um lado o falar merda deturpa, essencialmente, não é o estado de coisas ao qual se refere que a mentira deturpa por ser falso, nem as crenças do falante em relação a esse estado de coisas. Uma vez que falar merda não envolve falsidade, difere das mentiras em seu intento deturpador. O falador de merda pode não nos enganar, ou nem ao menos querer fazê-lo, sobre os fatos ou sua interpretação deles. E sobre sua intenção que ele tenta necessariamente nos enganar. Sua única característica distintiva é que, de certa forma, ele deturpa seu objetivo.

É muito comum lermos comentários desconexos em relação a fatos que envolvem profissionais de certas áreas especializadas como são a polícia, o Ministério Público e o Judiciário. Noticiais são divulgadas confundindo a opinião pública sobre as atividades de cada instituição e muitas vezes induzindo o leitor a silogismos equivocados. A ideia que se passa em algumas manchetes de um julgamento antecipado das pessoas envolvidas em atos que exigem a ação dessas instituições conduzem a julgamentos precipitados ao invés de se limitarem a divulgar os fatos apenas e não seus prováveis resultados.

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Precavemo-nos porque nossa próxima atração será recheada de aventuras pelo mundo da mentira e da arte de falar merda. Temos que estar atentos para que sejamos capazes de fazer nosso próprio juízo de valor e não nos deixar embarrigar pelas opiniões publicadas que visa macular nossa melhor visão da realidade a ser democraticamente eleita.

 

 

 

 

 

 

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OLIMPÍADA DA CIDADANIA.

Olimpíada da cidadania.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

O Rio de Janeiro continua lindo porque é bonito por natureza e tem um povo extraordinário que o habita e constrói diariamente. O sonho olímpico acabou e os resultados do desempenho dos atletas foram milagrosos. Ouvi alguns comentários críticos afirmando que o investimento foi muito grande para resultados tão pífios. Não vejo investimento nenhum para que se exija mais sacrifício de atletas que se superam pela garra e dedicação pessoal. O quadro de medalhas dos países que investem na educação integral, que inclui necessariamente as praticas esportivas mais variadas, aponta para a direção que nossas administrações insistem em ignorar.

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Não se fabrica um atleta em oito anos de investimento como pretendem alguns. Muitas vezes, como no caso da natação e da ginástica olímpica, deve-se começar com os bebês. Mas nossa cultura pseudo protecionista ainda impede que crianças pratiquem algumas modalidades de esportes, quando os jovens começam a praticar já é tarde para sua formação. O que se vê nas comunidades mais pobres de onde brilhou Rafaela Silva são exemplos de superação pessoal sem qualquer incentivo governamental. Inciativas como as da CUFA, Central única de favelas, do atleta DG no Cesarão com o Basquete de rua, como as de Flavio Canto na Rocinha e na Cidade de Deus são únicas e necessitam de urgente reconhecimento oficial.

Exemplos que precisam ser “adotados” e estimulados pelo Município são dentre outros a escolinha de jiu jitsu de Sansei Gabu em Manguinhos e no Jacaré; a escolinha de futebol do subtenente da PM Orlando Muniz na Cidade de Deus; as aulas de jiu jitsu, judô, kickboxe e karatê do Conjunto Amarelinho de Irajá sob o comando de Vanessa Silva e o Marezinho Bushido Jiu Jitsu do mestre Bruno Pernambuco.

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As escolas municipais e estaduais, muitas delas dotadas de equipamentos esportivos precisam ser ocupadas por todas as modalidades esportivas, com material que pode muito bem ser fabricado pelos presos, como terapia ocupacional, e estimulados campeonatos regionais entre as escolas utilizando-se os equipamentos destinados a sediar as Olimpíadas. Os recursos inutilmente aplicados na construção de muros de exclusão como foi a politica das UPPs podem muito bem reverter para criar um ambiente saudável nas 800 favelas do Rio com a promoção de competições esportivas para os meninos e meninas que respiram a violência e a exclusão. O esporte educa e une as pessoas.

Devemos saudar nossos medalhistas como verdadeiros heróis que se superaram acima das expectativas e de qualquer estímulo que tenha vindo senão de suas persistências, técnica individual e muito treinamento.

 

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