MARIO PAULO – UM GRANDE LÍDER.

            Mario Paulo – Um grande líder.

Siro Darlan  – desembargador do Tribunal de justiça do Rio de Janeiro e membro da Associaçao Juízes para a Democracia.

            Interrompo esse retiro forçado para meu crecimento espiritual e prestar uma homenagem sincera e merecida para um grande líder da magistratura nacional, que acaba de nos deixar. O desembargador Mário dos Santos Paulo, que morreu no dia 20 de maio, por motivo desconhecido, mas já que era um homem saudável e ainda novo, 76 anos, provavelmente foi mais uma vítima dessa peste que nos assola.

            Somente os mais antigos sabem e reconhecem a importância desse magistrado para a magistratura nacional. Mario Paulo, talvez tenha sido o maior lider associativo, juntamente com o desembargador Renato Maneschi, que já tivemos. Faz mais de 32 anos e ele se destacava na luta para a garantia das prerrogativas dos servidores do judiciário na constituinte de 1988. Era incansável e por sua inquestionável liderança e conhecimento, foi fundamental para nossas conquistas na Carta de 1988.

            Mario Paulo conhecia todas as lideranças nacionais e era íntimo de quase todos eles. Falava quase diariamente com líderes politicos como Jose Sarnei, Antonio Carlos Magalhães, Jose Dirceu ou qualquer outra liderança de todas as matizes políticas. Era tamanha sua influência com o Relator da Constituição, o Senador Bernardo Cabral, que o apelidamos de “Senador”. Também foi grande a sua influência na unificação das duas Associações, após a fusão dos dois estados. O Estado do Rio de Janeiro mantinha sua Associação Fluminense de Magistrados e na Capital, antigo Estado da Guanabara havia a Associação dos Magistrados da Guanabara. Mario Paulo foi um dos que lideraram o movimento de reunião e fortalecimento do que hoje é a Associaçao dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro.

            Pensavamos, filosoficamente e doutrinariamente, diametralmente opostos. Ele era conservador e punitivista. Tanto que quando foi candidato à presidência da AMAERJ não teve o apoio dos humanistas, muitas vezes confundidos como “comunistas” e não venceu as eleições. Mas isso em nada empana seu brilhantismo como lider e reformista. Mario Paulo era um otimista e tinha um ar irônico de sempre estar gozando de seu interlocutor, mas era um camarada amigo e aglutinador. Nossas diferenças políticas e filosóficas jamais foram mais fortes a ponto de nos afastar e nos respeitar mutuamente.

            Ele era de um concurso mais jovem que o meu e os mais jovens não conheceram a importância desse colega para que hoje tenhamos uma magistratura forte e atuante. Mario Paulo merece muitas páginas na história da magistratura fluminense e nacional. Que o desembargador Isaias encontre no Museu da Justiça um grande espaço para homenagear esse colega que nos deixou precocemente, mas nos dedicou uma preciosa herança. Quantas vezes deixou o convívio de sua amada Fernanda e seus filhos Luciana e Paulo para servir a nossa causa?  Recebeu em vida muitas e merecidas homenagens. Lamento que o momento em que estamos vivendo não me permita estar presente em sua despedida e nem sequer em sua missa, que certamente será encomendada.

            Mas, mesmo recluso e em estado medidativo para crescer e aprender a conhecer cada vez mais e melhor o ser humano, não poderia deixar esse isolamento sem prestar as devidas homenagens a esse ser humano tão especial que viveu para servir ao próximo e à causa da justiça: Desembargador Mario dos Santos Paulo, a quem me curvo reverencialmente.

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Somos brasileiros e sempre soubemos dar nosso jeitinho

Somos brasileiros e sempre soubemos dar nosso jeitinho.

Siro Darlan.

 

O Coronavirus passara e deixara os sobreviventes. Aos que forem nossas orações pelo martírio e por haver nos ensinado a sobreviver. Aos que ficarem que fique a lição de um mundo novo, mais unido e mais solidário, onde o bem maior seja o homem e seus valores de dignidade da pessoa humana. Que aprendamos a partilhar o pão e a olhar para nossos irmãos com respeito às nossas diferenças de cor, raça, religião, ideologia, ou qualquer outro tipo de diferença.

Adiamos nossos compromissos de trabalho, nossos encontros sociais, nossos negócios, muitos prejuízos econômicos. Não importa se o resultado for o aumento de nossa fraternidade, se for a volta ao humanismo em contrapartida ao egoísmo de quem só pensa em enriquecer nas bolsas, sem olhar para a fome no mundo. Nossa mesa só será farta se compartilharmos com todos. O mundo só será feliz se não houver um único ser humano com fome no mundo. Fome de toda espécie, de alimentos, de amor, de direitos, de educação, de moradia, de saúde. Que o Coronavirus seja driblado por nossas ações de humanização de todos os habitantes da Terra. Os que tiverem mais do que necessitam distribuam seus excessos com os mais pobres e necessitados.

“Acordem, isso tudo é muito grave”. Alertam os técnicos em saúde. O mundo foi paralisado para que tenham tempo para refletir, justamente nesses quarenta dias da Quaresma, o mesmo tempo que Jesus passou no deserto para se preparar para mudar o mundo com seu Amor incondicional. Estamos todos em isolamento. Aproveitemos para nos preparar para um mundo novo. Quando passar que possamos dar um abraço global sem nenhum tipo de exclusão.

Não é tempo para ódios, nem divisões sejam elas politico ideológicas, ou qualquer outra. Acolhamos nesse abraço aqueles que estão enjaulados por seus crimes e precisam de uma segunda chance, como a que estamos tendo os que sobrevivermos. A pandemia traz o pior e o melhor da sociedade. Vamos nos dar as mãos fraternalmente. Se estamos presos em casa por precaução e para evitar aglomeração, deixar os presos aglomerados e sem condições sanitárias não nos ajudará a vencer essa guerra contra o vírus. Isso demonstra que nosso egoísmo persiste e não estamos preparados para a cura.

O vírus derrubou os mais poderosos, sinal que o dinheiro não vale o que pensam. O Mercado foi a nocaute. As bolsas caíram. O comércio está fechado. O desemprego aumentou. Nossos salários estão ameaçados. As prateleiras dos supermercados estão vazias. Façamos desse isolamento uma incubadora para gerar uma nova geração de líderes, de políticos comprometidos com o social, de magistrados que cumpram seu juramento de cumprir e fazer cumprir as leis e a Constituição. Precisamos construir uma nova geração comprometida com a responsabilidade social.

Nossos antepassados perderam muito sangue, muitas vidas foram sacrificadas para que alcancemos o progresso tecnológico, no campo dos direitos humanos e no aperfeiçoamento da humanidade. Passamos por muitas guerras fratricidas e duas mundiais. O coronavirus é apenas mais uma. Que consigamos sair dela melhores e mais fraternamente humanizados. Preparemos nossa quaresma no nosso isolamento para o grande abraço da Ressureição que nos dará um mundo novo onde o Amor reinará

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Mangueira e o Documento de Puebla e os Evangelhos.

 

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça e Membro da associação Juízes para a democracia.

Inspirado numa reflexão de meu amigo Robson Santarém, da ANIMA, resolvi colar o samba da Mangueira no Documento de Puebla, onde os bispos latino-americanos, reunidos em 1979 na cidade mexicana de Puebla do los Angeles firmaram compromisso de priorizar a evangelização para os mais pobres e oprimidos. Destacaram as crianças golpeadas pela pobreza ainda antes de nascer, os jovens desorientados por não encontrarem seu lugar na sociedade; os desempregados, os marginalizados, os anciãos, postos à margem por uma sociedade que prescinde das pessoas que não produzem. Em todos esses os bispos viram o rosto e o corpo de Cristo que deve ser de toda gente, sobretudo dos pecadores e sofredores. Eis o que canta a Mangueira e o que decidiram os bispos latino americanos

MANGUEIRA

VÃO TE INVENTAR MIL PECADOS

MAS EU ESTOU DO SEU LADO

E DO LADO DO SAMBA TAMBÉM

“31. Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire, na vida real, feições concretíssimas, nas quais deveríamos reconhecer as feições sofredoras de Cristo, o Senhor (que nos questiona e interpela) :

EU SOU DA ESTAÇÃO PRIMEIRA DE NAZARÉ

MOLEQUE PELINTRA DO BURACO QUENTE

  1. – feições de crianças, golpeadas pela pobreza ainda antes de nascer, impedidas que estão de realizar-se, por causa de deficiências mentais e corporais irreparáveis, que as acompanharão por toda a vida; crianças abandonadas e muitas vezes exploradas de nossas cidades, resultado da pobreza e da desorganização moral da família;

MEU NOME É JESUS DA GENTE

NASCI DE PEITO ABERTO, DE PUNHO CERRADO

  1. – feições de jovens, desorientados por não encontrarem seu lugar na sociedade e frustrados, sobretudo nas zonas rurais e urbanas marginalizadas, por falta de oportunidades de capacitação e de ocupação;

ROSTO NEGRO, SANGUE ÍNDIO, CORPO DE MULHER

  1. – feições de indígenas e, com frequência, também de afro-americanos, que, vivendo segregados e em situações desumanas, podem ser considerados como os mais pobres dentre os pobres.

MEU PAI CARPINTEIRO DESEMPREGADO

MINHA MÃE É MARIA DAS DORES BRASIL

ENXUGO O SUOR DE QUEM DESCE E SOBE LADEIRA

  1. – feições de camponeses, que, como grupo social, vivem relegados em quase todo o nosso continente, sem terra, em situação de dependência interna e externa, submetidos a sistemas de comércio que os enganam e os exploram;

ME ENCONTRO NO AMOR QUE NÃO ENCONTRA FRONTEIRA

PROCURA POR MIM NAS FILEIRAS CONTRA A OPRESSÃO

  1. – feições de operários, com frequência mal remunerados, que têm dificuldade de se organizar e defender os próprios direitos;

OS PROFETAS DA INTOLERÂNCIA

SEM SABER QUE A ESPERANÇA

BRILHA MAIS QUE A ESCURIDÃO

FAVELA PEGA A VISÃO

NÃO TEM FUTURO SEM PARTILHA

NEM MESSIAS DE ARMA NA MÃO

  1. – feições de subempregados e desempregados, despedidos pelas duras exigências das crises econômicas e, muitas vezes, de modelos desenvolvimentistas que submetem os trabalhadores e suas famílias a frios cálculos econômicos;

MAS SERÁ QUE TODO POVO ENTENDEU O MEU RECADO?

PORQUE DE NOVO CRAVEJARAM O MEU CORPO

  1. – feições de marginalizados e amontoados das nossas cidades, sofrendo o duplo impacto da carência dos bens materiais e da ostentação da riqueza de outros setores sociais;

EU FAÇO NA MINHA GENTE

QUE É SEMENTE DO SEU CHÃO

DO CÉU DEU PRA OUVIR

O DESABAFO SINCOPADO DA CIDADE

  1. – feições de anciãos cada dia mais numerosos, frequentemente postos à margem da sociedade do progresso, que prescinde das pessoas que não produzem.

MEU NOME É JESUS DA GENTE

QUAREI TAMBOR, DA CRUZ FIZ RESPLENDOR

E NUM DOMINGO VERDE-E-ROSA

RESSURGI PRO CORDÃO DA LIBERDADE

ME ENCONTRO NO AMOR QUE NÃO ENCONTRA FRONTEIRA

  1. Compartilhamos com nosso povo de outras angústias que brotam da falta de respeito à sua dignidade de ser humano, imagem e semelhança do Criador e a seus direitos inalienáveis de filhos de Deus.”
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Os Evangelhos são claríssimos: Jesus morreu porque confrontou o Templo, um sistema de dominação e exploração dos pobres

Alberto Maggi

 

 

31 de Março de 2018 às 16:47

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Cruz (detalhe), Igreja do Espírito Santo e de S. Alessandro Mártir, Arquidiocese de Portoviejo, Equador / Arcabas (Jean-Marie Pirot)

Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados. Essa é a resposta que normalmente se dá para aqueles que perguntam por que o Filho de Deus terminou seus dias na forma mais infame para um judeu, o patíbulo da cruz, a morte dos amaldiçoados por Deus (Gl 3,13).

Jesus morreu pelos nossos pecados. Não só pelos nossos, mas também por aqueles homens e mulheres que viveram antes dele e, portanto, não o conheceram e, enfim, por toda a humanidade vindoura. Sendo assim, é inevitável que olhando para o crucifixo, com aquele corpo que foi torturado, ferido, riscado de correntes e coágulos de sangue expostos, aqueles pregos que perfuram a carne, aqueles espinhos presos na cabeça de Jesus, qualquer um se sinta culpado … o Filho de Deus acabou no patíbulo pelos nossos pecados! Corre-se o risco de sentimentos de culpa infiltrarem-se como um tóxico nas profundezas da psiquê humana, tornando-se irreversíveis, a ponto de condicionar permanentemente a existência do indivíduo, como bem sabem psicólogos e psiquiatras, que não param de atender pessoas religiosas devastadas por medos e distúrbios.

No entanto, basta ler os Evangelhos para ver que as coisas são diferentes. Jesus foi assassinado pelos interesses da casta sacerdotal no poder, aterrorizada pelo medo de perder o domínio sobre o povo e, sobretudo, de ver desaparecer a riqueza acumulada às custas da fé das pessoas.

A morte de Jesus não se deve apenas a um problema teológico, mas econômico. O Cristo não era um perigo para a teologia (no judaísmo havia muitas correntes espirituais que competiam entre si, mas que eram toleradas pelas autoridades), mas para a economia. O crime pelo qual Jesus foi eliminado foi ter apresentado um Deus completamente diferente daquele imposto pelos líderes religiosos, um Pai que nunca pede a seus filhos, mas que sempre dá.

A próspera economia do templo de Jerusalém, que o tornava o banco mais forte em todo o Oriente Médio, era sustentada pelos impostos, ofertas e, acima de tudo, pelos rituais para obter, mediante pagamento, o perdão de Deus. Era todo um comércio de animais, de peles, de ofertas em dinheiro, frutos, grãos, tudo para a “honra de Deus” e os bolsos dos sacerdotes, nunca saturados: “cães vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria”  (Is 56, 11).

Quando os escribas, a mais alta autoridade teológica no país, considerando o ensinamento infalível da Lei, vêem Jesus perdoar os pecados a um paralítico, imediatamente sentenciam: “Este homem está blasfemando!” (Mt 9,3). E os blasfemos devem ser mortos imediatamente (Lv 24,11-14). A indignação dos escribas pode parecer uma defesa da ortodoxia, mas na verdade, visa salvaguardar a economia. Para receber o perdão dos pecados, de fato, o pecador tinha que ir ao templo e oferecer aquilo que o tarifário das culpas prescrevia, de acordo com a categoria do pecado, listando detalhadamente quantas cabras, galinhas, pombos ou outras coisas se deveria oferecer em reparação pela ofensa ao Senhor. E Jesus, pelo contrário, perdoa gratuitamente, sem convidar o perdoado a subir ao templo para levar a sua oferta.

“Perdoai e sereis perdoados” (Lc 6,37) é, de fato, o chocante anúncio de Jesus: apenas duas palavras que, no entanto, ameaçaram desestabilizar toda a economia de Jerusalém. Para obter o perdão de Deus, não havia mais necessidade de ir ao templo levando ofertas, nem de submeter-se a ritos de purificação, nada disso. Não, bastava perdoar para ser imediatamente perdoado…

O alarme cresceu, os sumos sacerdotes e escribas, os fariseus e saduceus ficaram todos inquietos, sentiram o chão afundar sob seus pés, até que, em uma reunião dramática do Sinédrio, o mais alto órgão jurídico do país, o sumo sacerdote Caifás tomou a decisão. “Jesus deve ser morto”, e não apenas ele, mas também todos os discípulos porque não era perigoso apenas o Nazareno, mas a sua doutrina, e enquanto houvesse apenas um seguidor capaz de propagá-la, as autoridades não dormiriam tranquilas (“Se deixarmos ele continuar, todos acreditarão nele … “, Jo 11,48). Para convencer o Sinédrio da urgência de eliminar Jesus, Caifás não se referiu a temas teológicos, espirituais; não, o sumo sacerdote conhecia bem os seus, então brutalmente pôs em jogo o que mais estava em seu coração, o interesse: “Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?” (Jo 11,50).

Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o Filho de Deus: “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38). O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado, que o Senhor em sua misericórdia sempre consegue apagar, mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente refratários à ação divina.

* Alberto Maggi, biblista italiano, frade da Ordem dos Servos de Maria, estudou nas Pontíficias Faculdades Teológicas Marianum e Gregoriana de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversos livros, como A loucura de Deus: o Cristo de João, Nossa Senhora dos heréticos

* Francisco Cornélio, sacerdote e biblista brasileiro, é professor no curso de Teologia da Faculdade Diocesana de Mossoró (RN). Fez seu bacharelado no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum, em Roma. Atualmente, está em Roma novamente, para o doutorado no Angelicum (Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino), onde fez seu mestrado

Edição: Tradução: Francisco Cornélio

 

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Mangueira e o Jesus que veio para todos.

 

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça e membro da Associação Juízes para a Democracia.

 

Mangueira, essa comunidade de gente tão amável, hospitaleira, acolhedora trás para esse carnaval de 2020 uma verdadeira oração em forma de samba. Santo Agostinho dizia que quem canta reza duas vezes. É assim que a Mangueira vai entrar na Sapucaí, local tido por alguns como palco para o pecado, Mangueira faz diferente e abençoa a passarela com um samba oração. Mangueira eu estarei do seu lado e do lado do samba também porque os compositores de uma forma inusitada e poética repete as palavras bíblicas cantando que Jesus é de toda gente, seja branco, negro, homem, mulher, índio ou moleque pelintra do Buraco Quente.

Essa é a verdade que nem todos querem ouvir e por isso tantas vezes com nossos preconceitos e atos de desamor cravejamos de novo seu corpo santificado e o penduramos em cordéis e corcovados. Mas ele insiste em vir para todos, de todas as formas, ora com a doçura e a beleza das flores e das mulheres, ora com o sofrimento que conhece tão bem por herança de seu pai carpinteiro desempregado e sua mãe Maria das Dores Brasil, que tão bem representa as mulheres sacrificadas, não apenas as operárias e mães da comunidade, mas todas as mulheres que sofrem violência em seus corpos e na de seus filhos que são presos a assassinados por uma política que usa a força para a exclusão social.

Mas a Escola vem com sua pujança de sempre que tanto orgulha os mangueirenses, de peito aberto e punho cerrado, como sinal de resistência e luta para mudar as desvantajosas condições sociais que não aceita a violência como discurso fundamentalista. O canto prega a fraternidade que enxuga o suor do trabalhador que sua, o amor que não encontra fronteiras e vai as raias da fraternidade cristã como Cristo pregou. As alas se enfileiram contra a opressão e olha com orgulho para seu pavilhão verde e rosa para anunciar o Jesus da Gente.

Jesus da gente que era humano como somos nós, que amava homens e mulheres como nós nos apaixonamos, que era negro, até por ser palestino e não ariano, que era homem e mulher porque sua santidade não era de fazer distinções, que ceiou com operários analfabetos aos quais escolheu para dar continuidade à sua Igreja, com prostitutas e leprosos, significando que nunca se esquivou de estar com quer que fosse. Mas será que todo povo entendeu o seu recado? Certamente que não. Assim como tem muitos hipócritas e fariseus, os mesmos que viviam tentando Jesus, protestando contra o samba da Mangueira. Mas eu faço fé na minha gente, que apesar dos profetas da intolerância, sabem muito bem que a esperança, brilha mais na escuridão. Portanto minha querida Estação Primeira eu estarei do seu lado e do lado do samba também. Axé!

 

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DESCULPE CHICO

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O exercicio do dom.

O exercício do dom.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

Um casal de amigos convidou-me para passar um fim de semana em sua casa em Saquarema. Na lógica de uma sociedade onde tudo é precificado é algo inusitado um ato de doação entre amigos. Depois de duas horas de viagem, fomos, eu e minha esposa, recebidos numa aconchegante casa de praia. O primeiro choque foi identificar se eu era um hóspede ou o anfitrião, tamanha a interação entre essa oferta de carinho e a recepção dessa graça. As ações humanas desinteressadas criam vínculos espirituais e mostram na verdade a força da doação desinteressada.

O próximo tema da série Filosofia na Praia será uma reflexão sobre o ato de doar. Marcel Mauss estudou que povos antigos não vendiam seus produtos, não passavam pelo ato egoísta de obter lucros com o trabalho alheio. Havia uma troca de doações mútuas. Um antropólogo visitando uma tribo indígena se encantou com um artesanato e quis comprar o objeto do cacique indagando-lhe quanto custava. O indígena estranhou o interesse de compra e respondeu ao visitante. Se você gostou é seu. Insistiu o cientista, mas quanto custa? Não tem custo o prazer de doar é superior.

A lógica do projeto Filosofia na Praia passa por essa doutrina. Doar sem o interesse do retorno. É assim que há três anos um grupo de pessoas se reúne na Praia do Leme aos sábados quinzenais para uma troca de conhecimentos onde nada é precificado. É uma doação coletiva onde a presença de cada um é o próprio presente. Inclusive os palestrantes que se doam sem qualquer interesse econômico. A essência do paradigma do dom é criar vínculos com o outro e com o Transcendente. O paradigma do dom é apresentado como aquele elemento que se fez presente, sob diversas formas, desde o início das relações sociais humanas. É algo que sempre esteve presente nas diferentes atividades humanas.

Foi assim que Deus saiu de sua longínqua divindade para se dar enquanto homem e viver entre os seres humanos, doando-se e ensinando-nos a nos doar uns aos outros. É assim que se confunde a graça e a experiência humana da doação. Quando damos um presente, estamos compartilhando um momento de alegria e a doação é um bem compartilhado. Já ouvi muitas vezes que as pessoas que adotam uma criança, ao contrário do que pensam alguns, recebem muito maior satisfação do que o próprio adotado. Experimentamos esse prazer toda vez que compartilhamos alguma experiência com nossos semelhantes, sejam nos grupos escolares, na experiência da economia solidária, no Grupo Alcóolicos Anônimos, no Grupo de pais adotantes. Esse compartilhamento da entrega ao outro gera vínculos sociais e espirituais.

Na atualidade a precificação de tudo é uma forma de coisificar os valores que nos leva a condição de humanos e solidários. Doar a quem necessita nos torna dignos da vida recebida para compartilhar o dom que recebemos. Ouvi uma frase que choca os ouvidos de quem frequenta as redes sociais com sangue nos olhos. “Você vale mais que a pior coisa que você já  fez”. Difícil entender que uma pessoa que tenha cometido um crime abominável, ainda assim , por se tratar de uma criatura humana, tenha mais valor que o crime que praticou.

Segundo Leonardo Boff. “A graça é relação, é êxodo, é diálogo, é abertura, é história de duas liberdades e encruzilhada de dois amores. Porém a graça é mais do que o tempo, mais do que a pessoa, mais do que a história, É sempre o mais que acontece, na gratuidade inesperada.” O dom constitui a forma de laços sociais, de relações, tanto simples como complexas, que estruturam a base de muitas sociedades, cuja a regra fundamental não repousa sobre contratos, mas sobre três obrigações complementares: dar, receber e retribuir, que ultrapassam os interesses materiais, calculistas, mas a troca tem outras razões simbólicas.

 

 

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DE JÓ A HENRIQUE VIEIRA

De Jó a Henrique Vieira.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

Após assistir o filme Coringa, sai do cinema pensando que o mundo estava no fundo do poço. A insensibilidade que discrimina, encarcera e mata as pessoas e que cria Coringas, me lembrou o Livro de Jó, quando tudo dava errado apesar do personagem bíblico continuar justo e clamando aos céus por justiça. Um amigo ao ver o filme, lembrou-se de um artigo que escrevi há quase vinte anos com o título: Como fabricar um bandido?

Há dias me senti como Jó, tendo minha privacidade invadida, minha casa e família vilipendiada, minha reputação assassinada e toda construção de 38 anos de vida dedicada à causa da justiça reduzida à uma simples noticia desprovida de fatos concretos e verdadeiros de um criminosos que no ambiente carcerário, e para tirar proveito de sua precária situação de prisioneiro me atribuiu a prática de um crime. Bastou sua palavra, como ele mesmo reafirma, se estou falando é porque é verdade para dar início ao meu calvário. “És o Rei dos Judeus? Tu o dizes”.

Percebi então que a vida nem sempre percorre os caminhos que desejamos. Esse encontro com a dor me trouxe dissabores, mas me fez encontrar muita solidariedade de pessoas que conhecia, mas muitas que jamais encontraria se não tivesse vivido essa experiência nefasta. Pessoas que passaram pela minha vida, nas quais semeei bondade que frutificou e se manifestaram noticiando sua gratidão como a menina que vivia num abrigo e disse que por eu haver tocado com minha palavra e exemplo mudara de vida e hoje vivia feliz com seu trabalho e família. Ou aquele que ao ter sido desrespeitado pela polícia encontrou-se comigo, com seu cabelo descolorido e ao ser tratado com deve ser, resolveu dedicar-se ao estudo e hoje leciona em uma escola e atribui a mim essa mudança.

Foram muitos encontros que me consolaram e fortaleceram na caminhada. Muitos secaram o sangue e as lágrimas que rolaram de minha face. Mas nenhum foi tão importante quanto o presente que recebi de uma filha, que foi o livro “O amor como revolução”, do Pastor Henrique Vieira. Nessas páginas pude encontrar a consolação plena. Deus nunca disse que seria fácil. Não é fácil colocar-se do lado dos oprimidos e libertá-los quando todos gritam por ódio e vingança. Assim como no Coringa, a indiferença, as esperanças ilusórias, a mentira, a falta de políticas públicas inclusivas, as frustrações cotidianas, tudo isso pode alimentar o ódio e impedir uma convivência amorosa e feliz.

A proposta de Henrique de levar o amor a sério é o que me faz crer que só implementando o Estatuto da Criança e do Adolescente, respeitando e fazendo respeitar os direitos fundamentais dos seres mais vulneráveis e hipossuficientes, que por estar em processo de desenvolvimento precisam ter cuidados acima de todos os demais para que possam crescer de forma saudável e respeitados. Se é verdade que os conflitos fazem parte do que somos como humanos pode ser a base para nos tornar capazes de amar sem limites o próximo.

Como afirma Henrique Vieira, somente poderemos superar as dificuldades que a vida nos traz, surpreendendo-nos a cada dia se formos capazes de amar e colocar o amor como meta de nossa vida. Mesmo aqueles que buscam nos prejudicar caluniando e criticando nosso trabalho, precisam ser amados como é exemplo nossa Santa Irmão Dulce dos Pobres, que certa vez ao estender sua mão para pedir uma esmola, cuspiram na sua mão. Ela então recolheu essa mão e disse essa cuspida foi para mim. E estendeu a outra pedindo, agora dê para meus pobres.

Henrique me trouxe a mensagem que tanto precisava em sua Oração da Felicidade ao escrever “Que a felicidade venha sobre nós respeitando toda dor e consolando toda lágrima, porque a felicidade de verdade só é possível sob a bênção da comunhão. Amém. Axé. E o que de mais universal existe: Amor

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RECORDANDO MANIFESTAÇÕES DE SOLIDARIEDADE QUANDO JOGAVAM PEDRAS

O Estatuto da Criança e do Adolescente completava 10 anos de vigência e a oposição à cidadania de crianças e adolescentes era violenta e preconceituosa. Fui ameaçado de ser compulsoriamente removido para outro Juízo quando recebi essa manifestação assinada por 109 servidores do Juizado:

“Desde 1991, quando assumiu o cargo de Juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude, Dr. Siro Darlan de Oliveira tem trabalhado incansavelmente para adequar a Justiça da Infância e Juventude aos preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente, lei com a qual se identificou desde a primeira hora e da qual é hoje uma espécie de símbolo em nossa Cidade e em todo o País.

Realizava toda semana audiência nas instituições de cumprimento de medida, constatando as terríveis condições que o Estado oferecia aos adolescentes infratores, dava-lhes voz, interessando-se não apenas pelos seus atos, mas por suas vidas e pelos motivos que os levava às portas da justiça. Trabalhou incessantemente pela implantação de práticas dignificantes, pelo acesso dos jovens autores de atos infracionais à educação, à saúde, ao trabalho e a todos os meios de ressocialização. Agindo provocativamente, porém em perfeita consonância com a nova lei, colheu de surpresa uma sociedade apática e indiferente, que naturaliza a criminalidade, compra a ideia da congruência entre pobreza e delinquência, nega o papel das injustiças sociais no engendramento das carreiras dos jovens infratores.

Em 1995, passou a Juiz Titular da 1ª Vara da Infância e Juventude, encarregando-se da face mais silenciosa, menos espalhafatosa, mas talvez mais cruel, do nosso drama social. Para dar conta das inúmeras e graves questões, que se colocavam diariamente diante do Juízo, não bastava apenas aplicar passivamente a lei: era necessário torna-la viva, reconhecendo e desafiando as condições em que os problemas maturavam. Mais uma vez, e com veemência redobrada, passou a exigir das autoridades o cumprimento da proteção integral à criança e ao adolescente prevista no ECA, através de políticas de renda mínima, de habitação, de garanti de creches e escolas, do socorro às famílias cujas carências materiais colocam em risco a integridade de seus filhos. Ao invés de esperar pela resposta, tratou de criar, dentro da própria Justiça da Infância e da Juventude, experiências piloto, com a finalidade de mostrar a todos que é possível, por meio de soluções criativas e engenhosas, reduzir de imediato0 o risco real ou potencial que paira sobre nossos jovens. Surgem assim, dentro da 1ª Vara, sob a inspiração e a supervisão do Juiz, serviços de cursos e empregos para jovens, de busca e encontro de crianças e adolescentes desaparecidos, de promoção social de famílias, de atenção à drogadição, de atendimento a vítimas de violência, de acolhimento e criação de oportunidades para adolescentes de rua. Paralelamente, agilizam-se os processos de adoção e colocação em família substituta, intensificam-se as relações com as entidades de abrigo – o Juiz vai pessoalmente a todos os abrigos da cidade ´não por meio de fiscalização, mas pelo incentivo à reinserção familiar e à adoção de regimes de apoio em meio aberto.

A todas essas atividades, Siro Darlan empresta o prestígio de sua atenção pessoal e a força de seu carisma. Seu gabinete é um vai-e-vem permanente de pessoas de todas as classes e todas as origens, em busca de seu conselho e de sua ajuda, de sua capacidade de criar atalhos, de saltar obstáculos, de cortar a cauda da burocracia, de imagina soluções, graças à sua inteligência, sua lucidez, sua energia, seu humor, sua paixão e sua fé na vida.

Uma das chaves para a realização deste imenso trabalho reside na capacidade deste Juiz de instilar em sua equipe o mesmo entusiasmo e o mesmo compromisso, tornando nosso Juizado uma repartição orgânica, viva, vibrando no mesmo tom das necessidades dos que a procuram ou dela necessitam. A 1ª Vara da Infância e da Juventude transplanta-se uma vez por mês para uma comunidade carente da cidade, levando todos os seus serviços, sua equipe e principalmente seu Juiz. A população, habituada ao descaso do Poder Público e à chuva de balas mortíferas, acorre em massa a essa chuva cidadã que promove atenção e direitos e fecunda a paz.

Não somos hoje um País mais justo, não conseguimos resgatar a dívida que nos assola há séculos. Mas as práticas especiais promovidas por es Juíz singular, que tem a cabeça nas nuvens e os pés no chão, numa raríssima e inusitada mistura de idealismo desenfreado e sólido pragmatismo, destacam-se como ilhas de eficiência e de compromisso social, de tal forma que as Nações Unidas reconhecem a 1ª Vara da Infância e Juventude “um exemplo em iniciativas pró-ativas para levar justiça social a comunidades marginalizadas que deve ser conhecida e copiada” (Juan Petit – Relator da ONU).

Este Juiz, que tanto tem feito para desmentir a percepção pública de que o Judiciário é uma casta de privilegiados indiferentes ao sofrimento de nosso povo, acaba de sofrer uma censura formal de seus pares, em virtude de, por sua notoriedade, ter um episódio de sua vida privada se transformado em notícia sensacionalista. Neste momento, nós, os que trabalhamos na 1ª Vara da Infância e Juventude somos compelidos, pelo apreço ao que ele tem realizado e nos permitido realizar, a formar em torno de nosso Juíz um círculo d solidariedade, celebrando com ele, para além da mágoa momentânea, a beleza e o acerto deste trabalho romântico e objetivo, visionário e real – prólogo da Justiça com que sonhamos em todas as instâncias, festa de cidadania que tem beneficiado milhares de crianças, adolescentes e famílias ao longo desses anos.

 

Seguem 109 assinaturas de servidores da Justiça.

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OS FILHOS DO BRASIL

Os filhos do Brasil.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

Há 29 anos o Congresso Nacional aprovou e entrava em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente. A Lei 8069/90 entrou em vigor no dia da criança, 12 de outubro, também o dia da Padroeira do Brasil Nossa senhora Aparecida. O Brasil entrava então no rol dos países civilizados que se adaptava à Convenção das Nações Unidas sobre os direitos da criança, definida como todo ser humano até os 18 anos. A expectativa era grande porque uma Nação que respeita suas crianças investe no futuro.

O Brasil foi descoberto (ou invadido) sob o signo da violência contra as crianças. Juntamente com os navegadores vieram crianças pobre e abandonadas de Lisboa, algumas retiradas dos asilos para servirem aos marujos. Eram chamados grumetes, e segundo os historiadores serviam literalmente aos navegantes não apenas executando os trabalhos de limpeza, mas muitas vezes eram abusadas a bordo. Portanto, as primeiras crianças que aqui aportaram, ao contrário das indígenas, já sofriam abusos e violências de todo tipo.

Nossa cultura sofreu essa influência e quanto mais alta fosse a classe social, maior a distância dos pais com as crianças, sempre intermediado pelas amas de leite, aias, babás e criadas. Não apenas na América, mas Rousseau, um dos mais importantes filósofos do iluminismo, com toda sua cultura, não hesitou em abandonar os filhos na roda dos enjeitados. Mesmo a Igreja colonizadora, com toda sua mensagem cristã de amor ao próximo e tendo como modelo a Sagrada Família, tratava as crianças com discriminação.

A história da Roda dos Enjeitados durante muitos séculos foi o máximo de caridade cristã que conhecemos. Mesmo a educação trazida pelos jesuítas foi excludente, pois, à parte a catequização dos locais, o Colégio era destinado aos filhos da elite, como ocorre até hoje, apesar da instituição do ensino público e gratuito.

Estamos, pois, perdendo uma grande oportunidade de realizarmos uma revolução incruenta com a efetivação dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes brasileiras. Imaginem que passados 29 anos da edição dessa lei inovadora e de respeito aos direitos humanos, todas as crianças tivessem acesso garantido, com absoluta prioridade aos direitos à vida. Quantas crianças tiveram a vida ceifada nesses anos. O Brasil contabiliza mais de 80 mil mortes, a maioria envolvendo crianças e jovens. Que todas as crianças tivessem uma família bem constituída, biológica ou não, sem qualquer tipo de discriminação, que as respeitasse e não praticassem violência. Quase todos os casos de violência envolvendo crianças, elas são vítimas.

Lembrando Lenon, imaginem que todas as crianças estivessem estudando em horário integral em escolas de qualidade, com professores dedicados e bem remunerados para ensinar e amar os alunos. Imaginem que todas as crianças pudessem brincar ao invés de serem exploradas no trabalho infantil, incluindo o trabalho na prostituição e no tráfico de drogas, as duas piores formas de exploração do trabalho infantil.

Imaginem que todas as crianças tivessem respeitados, com reza o artigo 227 da Constituição da República os direitos à saúde, à alimentação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, além não serem negligenciadas, discriminadas, exploradas, vítimas de violência, crueldade e opressão. Passados 29 anos respeitando nossas crianças e seríamos uma outra Nação. Resta-nos apenas a esperança de que algum dia, e que seja breve, essa revolução incruenta ocorra e que respeitando os filhos que geramos e que se encontram em processo de desenvolvimento possam ser alimentados pelo respeito e pelo amor e construam uma nação sob essas bases.

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