ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA, A ESCOLA DO BRASIL

ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA, A ESCOLA DO BRASIL.
Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, membro da Associação Juízes para a democracia e estagiário da Escola Superior de Guerra.

A reunião era para programar a Revista do CAEPE 2011 e participavam 9 militares todos oficiais das três armas e das forças auxiliares e cinco civis representantes dos variados segmentos da sociedade. Entre nós um experiente e consagrado jornalista de 90 anos se propunha a ajudar a fazer a Revista.
Há 47 anos Dr. Orfeu estava sendo preso e interrogado por oficiais das mesmas armas, com a conivência silenciosa de alguns civis que representavam a sociedade de então. Esse é o retrato de um novo Brasil, que se constrói com bases solidas na solidariedade e a fé, e que se forja no testemunho de uma sociedade onde não cabe mais o preconceito e o revanchismo.
É assim que vejo com alegria o debate conduzido pelos professores e estagiários da Escola Superior de Guerra, ainda marcada por certa desconfiança embora já estejamos quatro décadas distante dos acontecimentos históricos e circunstanciais de nossa história. A realidade desse encontro para estudar, refletir, planejar e debater o Brasil é um acontecimento que não passa pelas páginas da grande mídia, onde alguns periódicos perdem tempo com picuinhas e pequenez.
Quando se reúnem mais de uma centena de brasileiros dentre militares de todos os estados da federação e de outras nações amigas e civis que representam importantes segmentos da sociedade como o Judiciário, o Congresso Nacional, o Ministério Público, a Defensoria Pública, delegados de policia e coronéis da policia militar, empresários de empresas públicas, as diferenças se diluem e quando apresentadas são respeitadas e discutidas sem censura ou qualquer tipo de restrição para olhar o desenvolvimento, a defesa e a soberania da Nação.
As conferências com especialistas sobre estratégia, planejamento, geopolítica, políticas públicas como saúde e educação, que precisam ser implantadas urgentemente para promover o desenvolvimento do Brasil. Apenas nos ressentimos da presença ou da repercussão que esse laboratório de idéias poderia ter em face de parlamentares e administradores públicos.

A presença de representantes das nações amigas enriquece a discussão e adita informações e propostas de estreitamento com os povos irmãos, sobretudo os latino-americanos e africanos, mas sem excluir qualquer outra Nação, respeitada como deve ser a vocação para aconchegar todos os povos que aqui aportam e se miscigenam acrescentando à nossa sua cultura e seus costumes e conhecimentos.
Os temas debatidos passam pelos mais variados dentro de nossa contextualização geopolítica e na busca da verdade não faltam comissões que a desejem encontrar, não para ser usada como instrumento de cizânia ou intrigas, mas como uma catarse coletiva capaz de superar eventuais lembranças de desencontros para promover encontros como o que protagonizou Dr. Orfeu entre nós para a edição da revista e de um novo Brasil.
Na busca de realizações construtivas não se pode usar os mesmos instrumentos que condenamos de intolerância e autoritarismo. Em recente pronunciamento um polêmico deputado que costuma pregar o autoritarismo e a intolerância foi vítima de seu próprio veneno. Ao se pronunciar publicamente expôs a coerência de suas idéias. Podemos ser contra elas e condená-las já que eivadas de preconceitos raciais e homofóbicos, mas não podemos nunca impedir que assim se manifeste.
Condenaram-se com veemência o desrespeito às instituições e a quebra da legalidade institucionalizada não se pode tentar silenciar aqueles que não comungam dos mesmos valores. Essa virtude tem sido uma prática em nossos debates. Podemos não comungar com alguns posicionamentos ou pronunciamentos, mas temos que escutado com respeito da mesma forma que nossas manifestações são ouvidas e respeitadas.
Esse Colégio de discussões sadias e construtivas precisa ser mais valorizado e apreciado não apenas pela qualidade das teses e monografias que aqui são redigidas, mas pela representatividade que tem aqueles que dedicam um ano de suas vidas profissionais para esse exercício saudável dar vida e voz aos brasileiros de todos os rincões, religiões e comunhão filosófica ou política.
Essa é a Escola que retrata tão bem o novo Brasil onde o assessor do Ministério da Defesa é um ex-guerrilheiro, os mais veementes defensores do novo projeto do Código Florestal de autoria de um deputado comunista, são os produtores rurais. A Presidência da República é ocupada pela primeira vez por uma mulher, que também é um símbolo da reconciliação nacional e que além de receber a respeitosa continência dos Chefes Militares foi por eles condecorada.

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2 respostas a ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA, A ESCOLA DO BRASIL

  1. Fonseca disse:

    Prezado Dr Siro,
    Participo a V. Excia. que o texto ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA, A ESCOLA DO BRASIL, estará sendo lido hoje para os alunos da UFRJ na II Semana de Defesa e Gestão Estratégica Internacional. Mais uma receba os parabéns do seu colega esguiano.
    Forte abraço,
    Fonseca (DAPs)

  2. Siro Darlan disse:

    Caro Fonseca.
    Muito obrigado por sua consideração. Desejo um feliz ano novo. Siro Darlan

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