AS ARMAS DE JORGE PARA PROTEGER.

 

As armas de Jorge para proteger.

 

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a Democracia.

São Jorge

 

Em meus 33 anos de magistratura sempre precisei vestir “as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles me possam fazer mal”. Nesses anos fui réu em 53 representações administrativas todas elas em razão de minhas concepções filosóficas, mas nunca deixei de me posicionar. Talvez o leitor faça de um juiz que foi processado tantas vezes o pior juízo, mas retruco que esse é um dos meus orgulhos profissionais. Nunca deixei nenhuma sem resposta e desse saldo contabilizo a capitulação por condenação judicial de cinco de meus perseguidores, além de inúmeras condenações de jornalistas que não tinham o compromisso com a verdade e me injuriaram através da mídia.

Recentemente voltei a ser perseguido por um vaidoso magistrado que ao ver-se contrariado por uma decisão que proferira em plantão judicial, resolveu usar as piores armas que uma pessoa pode usar contra a outra, que á a falsidade. Após cansativo plantão judicial com 86 processos para decidir num único dia, o magistrado raivoso resolveu afirmar minha incompetência informando seus pares que eu havia recebido processos quando já havia cessado meu horário de plantão, 18.00 horas. Assustado com a possibilidade de ter cometido tal engano, solicitei uma certidão do órgão distribuidor que certificou que naquela data me haviam sido distribuídos 85 processos e que o último datava de 17,42 horas, portanto 18 minutos antes de encerrado meu plantão.

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Como diz o poeta Fernando Pessoa: “Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta”. Ora aquele que forja dados para imputar a outrem ação dolosa não está entre os que tem a “cara lavada e a alma exposta”. Não é a primeira vez, nem será a última que uma pessoa procura me prejudicar atribuindo fatos de que não sou responsável. Mas não me abalarei porque quando uma porta se fecha, outra se abre, quando um caminho termina, outro começa. Tudo que a mim chega é bom, ainda que tenha uma carga de maldade. Não costumo me apavorar com doenças, sejam físicas ou espirituais ou de natureza relacional.

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Todos esses fatos tem uma função transformadora. Se há um mundo a ser transformado, devo aceitar fazer parte dessa missão para despertar e compreender melhor as qualidades e fraquezas dos outros. Afinal, se estamos no ano da misericórdia é hora de fazer com que o mundo seja melhor do que quando o encontrei. Enfim, voltando ao poeta: “Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.”.

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