Perdão foi feito para a gente pedir

PERDÃO FOI FEITO PARA A GENTE PEDIR.         

   Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

Numa sociedade globocolonizada tudo tem seu preço e a humanidade virou um grande mercado de consumo. Esse é o paradigma de uma sociedade que transformou os valores em objeto de consumo. A educação, meta maior de desenvolvimento dos povos é um valor cotado no mercado a preço alto e inaccessível às classes trabalhadoras. O Movimento Ocupa Escolas chamou atenção para esse desvalor exigindo que o Estado lhes proporcione uma educação de qualidade. Houve uma tentativa de criminalizar o movimento, mas a seriedade dos jovens estudantes impediu que essa estratégia tivesse êxito.

Precisamos promover um contraponto a esse paradigma através de um processo de globalização da solidariedade. O Papa Francisco tem dado alguns importantes passos ao levar de volta a Igreja para seu leito originário. Cristo não discriminava ninguém e era motivo de escândalo quando acolhia entre os seus os rudes apóstolos, prostitutas, cobradores de impostos e toda uma matilha de tradicionais marginalizados daquela época. Francisco não exige que lhe peçam perdão para que sejam acolhidos, mas, tal como o pai do filho pródigo pede perdão aos temporariamente rejeitados para que voltem ao lar.

Papa

Atitudes de generosidade estão se proliferando desde Roma com abraços afetuosos e pedidos de perdão para trazer de volta à Família aqueles que por ela foram discriminados: os separados, os que praticam diferentes formas de amor, as vítimas das cismas religiosas. Numa sociedade de exclusões, onde apenas 67 pessoas detém a mesma renda de 3,6 bilhões de pessoas do Planeta, esse pode ser o novo paradigma. As pessoas não podem continuar sendo objeto de mercancia, a solidariedade precisa ser uma prática nas relações humanas e o planeta precisa ser preservado como Casa Comum de toda humanidade.

Beto

Quando o Papa pede perdão aos gays, aos judeus, as mulheres, às crianças exploradas no trabalho infantil e nas sevícias sexuais e a todos aqueles que num passado de equívocos a Igreja desprezou, é o momento de mudarmos o paradigma de nossa história e retomarmos a prática da partilha, dando oportunidade para que todos tenham acesso aos bens, aos valores e aos frutos do trabalho humano com igualdade de acesso à todas as riquezas da terra.

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