OLIMPÍADA DA CIDADANIA.

Olimpíada da cidadania.

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

O Rio de Janeiro continua lindo porque é bonito por natureza e tem um povo extraordinário que o habita e constrói diariamente. O sonho olímpico acabou e os resultados do desempenho dos atletas foram milagrosos. Ouvi alguns comentários críticos afirmando que o investimento foi muito grande para resultados tão pífios. Não vejo investimento nenhum para que se exija mais sacrifício de atletas que se superam pela garra e dedicação pessoal. O quadro de medalhas dos países que investem na educação integral, que inclui necessariamente as praticas esportivas mais variadas, aponta para a direção que nossas administrações insistem em ignorar.

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Não se fabrica um atleta em oito anos de investimento como pretendem alguns. Muitas vezes, como no caso da natação e da ginástica olímpica, deve-se começar com os bebês. Mas nossa cultura pseudo protecionista ainda impede que crianças pratiquem algumas modalidades de esportes, quando os jovens começam a praticar já é tarde para sua formação. O que se vê nas comunidades mais pobres de onde brilhou Rafaela Silva são exemplos de superação pessoal sem qualquer incentivo governamental. Inciativas como as da CUFA, Central única de favelas, do atleta DG no Cesarão com o Basquete de rua, como as de Flavio Canto na Rocinha e na Cidade de Deus são únicas e necessitam de urgente reconhecimento oficial.

Exemplos que precisam ser “adotados” e estimulados pelo Município são dentre outros a escolinha de jiu jitsu de Sansei Gabu em Manguinhos e no Jacaré; a escolinha de futebol do subtenente da PM Orlando Muniz na Cidade de Deus; as aulas de jiu jitsu, judô, kickboxe e karatê do Conjunto Amarelinho de Irajá sob o comando de Vanessa Silva e o Marezinho Bushido Jiu Jitsu do mestre Bruno Pernambuco.

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As escolas municipais e estaduais, muitas delas dotadas de equipamentos esportivos precisam ser ocupadas por todas as modalidades esportivas, com material que pode muito bem ser fabricado pelos presos, como terapia ocupacional, e estimulados campeonatos regionais entre as escolas utilizando-se os equipamentos destinados a sediar as Olimpíadas. Os recursos inutilmente aplicados na construção de muros de exclusão como foi a politica das UPPs podem muito bem reverter para criar um ambiente saudável nas 800 favelas do Rio com a promoção de competições esportivas para os meninos e meninas que respiram a violência e a exclusão. O esporte educa e une as pessoas.

Devemos saudar nossos medalhistas como verdadeiros heróis que se superaram acima das expectativas e de qualquer estímulo que tenha vindo senão de suas persistências, técnica individual e muito treinamento.

 

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