O Cordel dos Direitos Humanos.

 

Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.

 

                        Um dia depois da data comemorativa dos Direitos Humanos, a Inscrire, uma associação que se dedica a escrever os direitos humanos nos muros das escolas inaugurou na Escola da Fundação Darcy Vargas mais um Painel alusivo aos direitos humanos. O Painel de 23 metros foi todo executado pelos alunos da escola que ali desenharam em azulejos e escreveram suas mensagens voltadas para a comunidade do entorno.

                        A Escola mantem seu quadro de educadores e 150 alunos com recursos da Fundação Darcy Vargas, antiga Casa do pequeno Jornaleiro. As mensagens são ricas em arte, cultura, mas sobretudo em reflexão sobre o respeito aos direitos dos homens e mulheres que precisam aprender a conviver harmoniosamente para alcançar a paz social.

                        Além das mensagens que todos os que passam pela Escola podem ler e assimilar os alunos participaram da elaboração e encenação de um Cordel dos Direitos Humanos, de autoria do aluno Poeta Gustavo Dourado que compartilho com os leitores.

 

Cordel dos Direitos Humanos

Poeta Gustavo Dourado

 

1

 

Pelo artigo primeiro

 

Somos iguais em dignidade,

 

Direitos e nascemos livres,

 

Pra agir com fraternidade.

 

Fico triste em lhes falar,

 

Que não é a realidade.

 

2

 

O segundo manda gozar

 

Do direito e da liberdade,

 

Sem utilizar distinção

 

De raça , cor , religiosidade,

 

Opinião política, riqueza…

 

Será que isso é verdade?

 

3

 

As palavras do terceiro

 

Nos diz o essencial,

 

Todos têm direito a vida,

 

A segurança pessoal

 

E ainda a liberdade,

 

Bonito! mais irreal.

 

4

 

O quarto é enfático,

 

Proíbe a escravidão,

 

Só que os juros pagos,

 

Pra manter globalização,

 

Está nos deixando servos,

 

Eternizando a prisão.

 

5

 

Quinto vem ser o artigo

 

Que não deixa torturar,

 

Condena-se a Polícia

 

Sem antes observar,

 

Que a maior violência,

 

É não poder se educar.

 

6

 

O sexto nos informar

 

Que o homem tem o direito,

 

Perante a lei do mundo,

 

Ser tratado com respeito,

 

Mas Países descumprem

 

A regra deste preceito.

 

 

 

7

 

No sétimo somos iguais

 

Não havendo distinção

 

Diante a lei e o direito,

 

Desses temos proteção,

 

O forte ainda consegue

 

Manter discriminação.

 

8

 

O oitavo nos ensina

 

A procurar os Tribunais,

 

Contra os atos que violem

 

Os direitos fundamentais,

 

Mas a suntuosa justiça,

 

Pouco tem sido eficaz.

 

9

 

Ninguém, pelo artigo nono

 

Será preso ilegalmente,

 

Detido ou exilado,

 

Se arbitrariamente,

 

O descumprimento é flagrante,

 

Analise historicamente!

 

10

 

O artigo dez não inventa

 

Diz o fundamental,

 

Igualmente temos direito

 

A uma justiça imparcial,

 

Tem País que ainda julga,

 

Sem uma defesa legal.

 

11

 

Pelo onze não se acusa

 

Sem devido processo legal,

 

Tudo deve está previsto

 

Na lei de cada local.

 

Mas inocentes são vítimas,

 

De bombardeio fatal.

 

12

 

Na regra do artigo doze

 

Não haverá interferência

 

Na vida privada, no lar

 

Ou numa correspondência,

 

Essas normas são violadas

 

Até com muita insistência.

 

13

 

Fala o treze da liberdade

 

De locomover e morar,

 

Dentro de um território,

 

Podendo sair e retornar,

 

Mas existem ditaduras

 

Que persistem em violar.

 

14

 

O quatorze dá direito

 

A vítima de perseguição,

 

Que pode procurar asilo,

 

Em seja qual for a nação,

 

Muitos Países descumprem

 

E não dão essa proteção.

 

15

 

Pelo quinze fazemos jus

 

A uma nacionalidade,

 

Não podemos ser privados

 

Dessa legal faculdade,

 

Podendo até mudá-la,

 

Se houver necessidade.

 

16

 

O dezesseis nos ensina

 

Que maiores de idade,

 

Podem contrair matrimônio,

 

Por espontânea vontade,

 

O duro é manter a família,

 

Agregando-a a realidade.

 

 

17

 

O dezessete vem tratar

 

Do direito à Propriedade,

 

A qual não se deve violar

 

Pela arbitrariedade,

 

Poucos são donos de tudo,

 

Muitos na precariedade.

 

18

 

Pelo dezoito somos livres

 

Pra refletir e pensar,

 

De cultuar religião

 

Quando nela acreditar,

 

Cristãos, judeus e outros,

 

Teimam em se digladiar.

 

19

 

O dezenove complementa

 

A idéia do anterior,

 

Expressaremos opiniões

 

Seja em que lugar for,

 

Se não houver embaraços

 

Com prepotente ditador.

 

20

 

O artigo vinte agrega

 

Liberando reunião,

 

Podemos pacificamente,

 

Criar associação,

 

Mas os ricos liberais,

 

Preferem desunião.

 

21

 

O vinte e um nos indica

 

Que podemos governar,

 

Escolhendo representantes,

 

Ou se um pleito conquistar,

 

Mas voto é mercadoria

 

E só ganha marajá.

 

22

 

Pretende o vinte e dois

 

Dá segurança social,

 

A que fazemos jus,

 

Pelo esforço nacional,

 

Mas educação e saúde,

 

Estão num plano orbital.

 

23

 

Pelo artigo vinte e três

 

O homem deve trabalhar

 

Ter remuneração decente,

 

E sindicato organizar,

 

Os projetos globalizantes,

 

Querem com isso acabar.

 

24

 

É no vinte e quatro

 

Que podemos repousar,

 

Ter lazer, férias com grana,

 

E na Europa passear,

 

Um sonho do operário,

 

Que mal pode se alimentar.

 

25

 

É direito no vinte e cinco,

 

Ter padrão de vida real,

 

Alimentar-se, morar bem,

 

Ter um bem-estar social,

 

O difícil é ter acesso,

 

Ao que é fundamental.

 

 

 

26

 

Agora pelo vinte e seis,

 

Tenho que ter instrução

 

Pra compreender a miséria

 

E debater a questão,

 

O poder sabendo disso,

 

Destrói a educação.

 

27

 

O artigo vinte e sete

 

Vem nos dá a proteção,

 

Sobre o que se produz

 

Pra cultura da nação,

 

O nosso direito autoral,

 

Não esboça reação.

 

28

 

O vinte e oito se apega

 

Na ordem sócio-global,

 

Pra que o estabelecido,

 

Realize-se no total,

 

O preceito é coerente,

 

Mas não cumprem no final.

 

29

 

Prevê o vinte e nove

 

A nossa obrigação,

 

De respeitarmos as leis

 

E também o nosso irmão,

 

No entanto há violência,

 

Por faltar compreensão.

 

 

 

30

 

Chego no artigo trinta

 

Vejo nele a previsão,

 

Que nenhum dispositivo

 

Da presente declaração,

 

Seja porém destruídos

 

Por revoltosa nação.

 

 

 

 

Analisei as premissas

 

Dos direitos fundamentais,

 

Mostrei a Declaração,

 

Nos seus aspectos formais,

 

Dissequei todos artigos,

 

Fazendo críticas leais.

 

 

 

O homem sempre lutou

 

Pra reaver seu direito

 

A história mostra isso

 

De modo muito perfeito,

 

Mas apesar do progresso,

 

Persistimos no defeito

 

 

 

Fiz um breve retrospecto

 

Do que é primordial,

 

Para que o homem viva

 

Na sociedade ideal,

 

Espero que no futuro

 

Não existe desigual.

 

 

 

Tenho medicação certa

 

Pra que todos vivam bem

 

Acabe com a ganância,

 

Divida o que você tem,

 

Pois na vida espiritual,

 

Não precisará de vintém.

 

 

 

Dedico esse trabalho

 

A quem nele acreditar,

 

A Deus referencio

 

Por ele me ajudar.

 

A Terra será um éden,

 

Quando povo se agregar.

Esta entrada foi publicada em Opinião. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.